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domingo, 5 de dezembro de 2010

Viagem- Marte

Cientistas propõem viagem sem volta a Marte

Redação do Site Inovação Tecnológica - 25/10/2010

Voos tripulados

Quando Barack Obama tomou posse, ele afirmou que era preciso rever os projetos de voos tripulados da NASA.

Embora tenha dito que poderia ser possível enviar o homem a Marte até 2030, o efeito mais imediato da nova política espacial da NASA foi o cancelamento do projeto de retorno à Lua.

Com um mero passeio lunar cada vez mais distante, e com as decepcionantes dificuldades que a própria NASA demonstrou na execução do projeto Constelação, que nada mais era do que um upgrade da histórica Apolo, ir a Marte ou a qualquer outro planeta parece um sonho cada vez mais distante.

Viagem sem volta a Marte

Mas talvez haja uma alternativa, uma missão que seja mais simples e mais barata e que viabilize a chegada do homem a Marte.

Para isso, basta que seja uma viagem sem volta, ou seja, uma viagem para astronautas que aceitem o desafio de ir para Marte sem qualquer plano de voltar à Terra.

Esta é a proposta de Dirk Schulze-Makuch, da Universidade do Estado de Washington, e do renomado Paul Davies, da Universidade do Estado da Flórida, ambas nos Estados Unidos.

Eles acabam de delinear como seria uma missão sem volta a Marte em um artigo publicado na revista científica Journal of Cosmology, chamado To Boldly Go: A One-Way Human Mission to Mars - Para Audaciosamente ir: Uma Missão Humana sem Retorno a Marte, em tradução livre. O "audaciosamente indo aonde nenhum homem jamais foi antes" é a marca registrada do seriado Jornada nas Estrelas.

Os dois físicos consideram que, embora tecnicamente factível, uma missão tripulada de ida e volta a Marte é improvável num horizonte de tempo razoável - principalmente, segundo eles, porque seria um projeto incrivelmente caro, tanto em termos financeiros quanto em sustentação política.

E, como a maior parte do gasto está ligado à necessidade de trazer os astronautas de volta em segurança, uma missão só de ida poderia não apenas reduzir os custos a uma fração do projeto inicial, como também marcar o início da colonização humana de longo prazo do planeta.

Cientistas propõem viagem sem volta a Marte
Uma missão só de ida a Marte seria o primeiro passo para o estabelecimento de uma presença humana permanente no planeta. [Imagem: NASA/JPL]

Colonização de Marte

Marte é o alvo mais promissor para uma colonização humana porque ele é muito similar à Terra: possui uma gravidade moderada, uma atmosfera, "água abundante", dióxido de carbono e uma infinidade de outros minerais essenciais.

É o segundo planeta mais próximo da Terra, depois de Vênus, e uma viagem a Marte levaria apenas seis meses, usando a opção de lançamento mais favorável e a atual tecnologia dos foguetes químicos.

"Uma estratégia seria enviar inicialmente quatro astronautas, dois em cada uma de duas espaçonaves, ambas com módulo de pouso e com suprimentos suficientes, para estabelecer um único posto avançado em Marte. Uma missão só de ida a Marte seria o primeiro passo para o estabelecimento de uma presença humana permanente no planeta," explicou Schulze-Makuch.

Embora afirmem que seria essencial que os astronautas fossem voluntários, Schulze-Makuch e Davies ressaltam que não estão propondo que os pioneiros espaciais sejam simplesmente abandonados à própria sorte em Marte - eles propõem uma série contínua de missões, suficientes para dar suporte à colonização de longo prazo.

Cientistas propõem viagem sem volta a Marte
Rocha com um desenho que lembra um crânio humano, encontrada em Marte. [Imagem: NASA/J.P.Skipper/Eduardo Lucena]

Terráqueos marcianos

"Teria de fato muito pouca diferença dos primeiros pioneiros brancos que foram para o continente norte-americano, que deixaram a Europa com poucas expectativas de retorno," diz Davies.

"Exploradores como Colombo, Frobisher, Scott e Amundsen, embora não embarcassem em suas viagens com a intenção de se fixar em seus destinos, de qualquer forma assumiam riscos pessoais gigantescos para explorar novas terras, sabendo que havia uma probabilidade significativa de que poderiam morrer na tentativa."

Embora proponham que os colonos espaciais comecem logo a cultivar e explorar os recursos do próprio planeta, os cientistas afirmam que eles poderiam receber periodicamente suprimentos enviados da Terra.

E eles vão audaciosamente ainda mais longe: o posto avançado poderia se tornar autossuficiente e se tornar uma base para um programa de colonização espacial ainda maior, de onde os "terráqueos marcianos", ou mesmo terráqueos de nascença, poderiam partir para ir mais longe.

Cientistas propõem viagem sem volta a Marte
Áreas apontadas pelos pesquisadores como promissoras para a primeira colônia humana em Marte, por conterem cavernas e relevo capaz de funcionar como proteção para os colonos espaciais. [Imagem: Schulze-Makuch/Davies/NASA]

Seguro contra catástrofes

Os cientistas afirmam que o primeiro passo para a missão sem volta seria a seleção de um local adequado para a colônia, que preferencialmente tenha uma caverna ou outro relevo que sirva de abrigo, assim como recursos nas proximidades, como água, minerais e nutrientes para agricultura.

Marte não tem uma camada de ozônio e nem uma magnetosfera que proteja contra a ionização e os raios ultravioleta. Por isso, uma caverna seria muito importante. As cavernas marcianas também poderiam conter depósitos de gelo em seu interior, embora isso ainda não tenha sido comprovado.

O artigo sugere que, além de oferecer um "bote salva-vidas" no caso de uma mega-catástrofe na Terra, uma colônia em Marte seria uma plataforma inigualável para pesquisas científicas. Os astrobiólogos acreditam que é grande a probabilidade de que Marte tem ou já teve vida microbiana, e que seria uma oportunidade imperdível estudar uma forma de vida alienígena e um segundo registro evolucionário.

Espírito explorador

Cientistas propõem viagem sem volta a Marte
A colonização de Marte exigirá o retorno o espírito explorador e do ethos de assumir riscos do período das grandes explorações na Terra. [Imagem: NASA/JPL/John Olson]

Embora acreditem que a estratégia para colonizar Marte com missões sem retorno coloque o projeto, financeira e tecnologicamente, ao alcance das possibilidades atuais, Schulze-Makuch e Davies afirmam que a ideia precisará não apenas de um grande esforço de cooperação internacional, mas também exigirá o retorno o espírito explorador e do ethos de assumir riscos do período das grandes explorações na Terra.

Segundo eles, ao levantar a ideia entre seus colegas cientistas, vários deles manifestaram a intenção de se inscreverem como voluntários para tal missão.

O próprio Schulze-Makuch afirma que seria o primeiro voluntário a se inscrever no projeto - mesmo reconhecendo o fato de que, quando tal missão estivesse pronta para partir, ele certamente não teria mais idade para embarcar.

"Pesquisas informais feitas após palestras e conferências sobre a nossa proposta mostraram repetidamente que muitas pessoas gostariam de se voluntariar para uma missão sem retorno, tanto por razões de curiosidade científica, quanto por um espírito de aventura e de cumprir o destino da humanidade," afirmam eles.


Bibliografia:


To Boldly Go: A One-Way Human Mission to Mars
Dirk Schulze-Makuch, Paul Davies
Journal of Cosmology
October-November, 2010
Vol.: 12, 3619-3626
http://journalofcosmology.com/Mars108.html

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Soyuz aterrissa no Cazaquistão

Três tripulantes permaneceram mais de cinco meses na ISS.

Nave trouxe da ISS um russo e dois norte-americanos.
nave Soyuz TMA-19, com o russo Fiódor Yurchikhin e os americanos Douglas Wheelock e Shannon Walker a bordo, aterrissou nesta sexta-feira (26) sem contratempos nas estepes do Cazaquistão, informou o Centro de Controle de Voos Espaciais (CCVE) da Rússia.
Soyuz TMA-19 aterrissa no Cazaquistão.
Soyuz TMA-19 aterrissa no Cazaquistão. (Foto: Shamil Zhumatov / Reuters)

A nave aterrissou, como estava previsto, ao norte da cidade de Arkalyk, indicou um porta-voz do CCVE à agência oficial russa “Itar-Tass”.

Os três tripulantes da Soyuz, que permaneceram mais de cinco meses na Estação Espacial Internacional (ISS, na sigla em inglês) estão bem, informou o canal de notícias russo “Rossía-24”.

Nave trouxe o russo Fiódor Yurchikhin e os americanos Douglas Wheelock e Shannon Walker.
Nave trouxe o russo Fiódor Yurchikhin e os americanos Douglas Wheelock e Shannon Walker. (Foto: Shamil Zhumatov / Reuters)

Inicialmente, o retorno da nave estava previsto para 30 de novembro, mas foi antecipado em quatro dias porque o Cazaquistão fechou seu espaço aéreo por ocasião da cúpula da Organização para a Segurança e Cooperação na Europa, na cidade de Astana, na próxima semana.

No laboratório orbital permanecem o novo comandante da Expedição 26, o astronauta da Nasa Scott Kelly, e os engenheiros de voo russos Aleksandr Kaleri e Oleg Skrípochka.
http://g1.globo.com/ciencia-e-saude/noticia/2010/11/soyuz-aterrissa-no-cazaquistao.html

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

A Palavra de Ordem é PREVENÇÃO

1 JORNADA DE MEDICINA PREVENTIVA.

Palestrante Cloer Vescia Alves -Ten. Cel.Med

Com o aumento da expectativa de vida, devemos estar preparados para as doenças crônicas que norteiam a terceira idade. O custo para o tratamento é demasiado elevado, por tanto, devemos atuar de forma eficaz na PREVENÇÂO.
O Ten. Cel.Med. Cloes Vescia Alves apresentou na I Jornada de Medicina Preventiva, dados signicativos que é algo factivel, lembrou-nos ainda que o ponto principal ao elaborar um planejamento estratégico na área da prevenção é o PACIENTE, ainda apresentou-nos que todos os indicativos da medicina baseada em evidencias, demonstra que a ordem frente ao caos da saúde de hoje é a PREVENÇÂO.

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

13 de outubro dia do FISIOTERAPEUTA

Oração da Fisioterapia

“Senhor, eu sou fisioterapeuta.
Um dia, depois de anos de estudos, me entregaram um diploma,
dizendo que eu estava oficialmente autorizado a reabilitar.
E eu jurei faze-lo. . .conscientemente.
Não é fácil, Senhor, não é nada fácil viver este juramento na rotina
sempre repetida da vida de um fisioterapeuta:
avaliando. . .tratando. . .reavaliando. . .tratando. . .
acompanhando passo a passo a recuperação, às vezes lenta, dos
pacientes. Contudo, Senhor, eu quero ser fisioterapeuta. . .
Alguém junto de alguém.
Não mecânico de uma engrenagem, mas gente reabilitando gente.
Que todo aquele que me procura em busca de cura física
encontre em mim algo mais que o profissional. . .
Que eu saiba parar para ouvi-lo. . .sentar junto ao seu leito par animá-lo. . .
É muito importante, Senhor: que eu não perca a capacidade de chorar.
Que eu saiba ser fisioterapeuta. . .alguém junto de alguém. . .
Gente reabilitando gente, com a tua ajuda, Senhor.”

sábado, 9 de outubro de 2010

Nasa

http://www.youtube.com/reelnasa

Dicas de amigos.

UM PROGRAMA IMPERDÍVEL Por Professor Jairo Brasil.

Prá quem quer um programa para o próximo feriado, há um que considero excepcional e que compartilho aqui com vocês. Compareçam e me digam se não estou com a razão.

No próximo dia 12 de outubro, feriado nacional, como de costume, a partir das nove da manhã, ocorre mais uma vez a tradicional ExpoAer, feira de aeronáutica nas dependências da Base Aérea de Canoas. Tive a oportunidade de participar das últimas edições. É um momento “sui generis” e que vale a pena visitar. Não é todo dia que se pode adentrar aviões de caça, tirar fotos ao lado de experientes pilotos de nossa força aérea, assistir perfomances de resgate em helicópteros em pleno vôo e conhecer uma realidade totalmente diferente. As crianças ficam estupefatas com as máquinas e seus ases. Sou muito suspeito em tecer elogios a respeito, pois sempre tive grande admiração pela aviação, de forma geral. E acredito que todo canoense como eu, tem um pouco disso nas veias.

Mas o ponto alto da feira são as espetaculares acrobacias da Esquadrilha da Fumaça, que ocorre normalmente a partir das 15 horas, fechando o evento de forma extraordinária. Já assisti a Esquadrilha por diversas vezes, inclusive na posse do presidente Lula em seu primeiro mandato no final de 2002, quando ainda morava em Brasília. É IMPERDÍVEL.

Para se conhecer um pouco da Base Aérea de Canoas, trago a seguir um pequeno resgate da história, e que se confunde também com a história do País, do Estado e do município de Canoas.

A cidade de Canoas ainda era o 3º Distrito do Município de Gravataí, quando se deixou rasgar pela estrada de ferro, em 1874, unindo a colônia alemã de São Leopoldo à Capital Porto Alegre. Com isso iniciou-se povoamento de Canoas, que se constituiu num imperativo para a sua emancipação política. Em 1937, é transferido de Santa Maria para Canoas o 3º RAv (Regimento de Aviação do Exército) que seria a célula mater da Base Aérea de Canoas. Com a criação do Ministério da Aeronáutica, em 1941, o 3º RAv, agora transferido do Exército para a Aeronáutica, passa a denominar-se Base Aérea de Porto Alegre. Em 21 de agosto de 1944 é extinto oficialmente o 3º RAv e criada nesta mesma data, a Base Aérea de Canoas, estrategicamente localizada no sul do país, obedecendo às necessidades da segurança nacional. Nascida em plena 2ª Guerra Mundial, a recém criada Unidade chegou a formar 180 Oficiais Aviadores através do Curso de Preparação de Oficiais da Reserva da Aeronáutica, em instrução de vôo avançado, para um possível complemento às necessidades do conflito que se desenrolava no teatro de guerra europeu.

Em pleno Estado Novo, a Base Aérea de Canoas, conhecida no meio militar como BACO se projetou no cenário nacional, quando recebeu a incumbência de concentrar todos os aviões P-40 da FAB, consagrando-se, assim, como o último reduto dos “Tigres Voadores”. Esta é a Base Aérea de Canoas, presente na Força Aérea, na comunidade gaúcha e de Canoas. Sua atividade fim é de prover o competente apoio às Unidades Aéreas e Unidades de Aeronáutica que nela operam, permanente ou temporariamente, ou que nela estejam sediadas. A BACO conta com um efetivo de pessoal distribuído em esquadrões, com atribuições especificadas em regimento interno assim definidos: Esquadrão de Comando (EC), Esquadrão de Pessoal (EP), Esquadrão de Intendência (EI), Esquadrão de Suprimento e Manutenção (ESM), Esquadrão de Infra-Estrutura (EIE), Esquadrão de Material Bélico (EMB) e Esquadrilha de Saúde (ES). Hoje, fazem parte do complexo operacional em atividade na BACO, as seguintes Unidades Sediadas: Batalhão de Infantaria de Aeronáutica Especial de Canoas (BINFAE-CO), 1º/14º Grupo de Aviação (1º/14º GAV ), 5º Esquadrão de Transporte Aéreo (5º ETA), 2º/1º Grupo de Comunicações e Controle (2º/1º GCC) e Destacamento de Controle do Espaço Aéreo de Canoas (DTCEA-CO).

No dia 08 de janeiro de 2010 ocorreu a solenidade militar alusiva à Passagem de Comando da Base Aérea de Canoas, do Coronel Aviador Luiz Alberto Pereira Bianchi ao Tenente Coronel Aviador José Antonio Moraes de Oliveira Filho. A solenidade foi presidida pelo Tenente Brigadeiro do Ar Juniti Saito, Comandante da Aeronáutica e, interinamente, no exercício do cargo de Ministro da Defesa. O novo Comandante, Ten Cel Moraes, é natural de Porto Alegre - RS, e seu último cargo, antes de assumir o comando desta Organização Militar, foi a Chefia do Centro Operacional de Defesa.

Bem, esses são os dados.

Fica aqui o convite aqueles que quiserem levar seus filhos ou netos para conhecer alguma coisa bem interessante e diferente, no dia 12 de outubro, data em que também se comemora o Dia da Criança. E o ingresso? Um quilo de alimento não perecível.
No local, além da exposição de várias aeronaves, aeromodelos e outros recursos da ciência aeronáutica, há barracas com lanches a preços módicos. Vale a pena conferir.

Canoas espera por vocês

sábado, 19 de junho de 2010


Quais as repercussões e a abrangência das doenças pulmonares ocupacionais?

Segundo dados do National Institute for Occupational Safety and Health-NIOSH, EUA, a cada dia, em média, 137 indivíduos morrem devido a doenças relacionadas com o trabalho.

A cada 10 segundos, um trabalhador é temporária ou permanentemente incapacitado e, no ano de 1994, estimou-se em US$ 121 bilhões o custo relacionado com as doenças ocupacionais.

Dentre essas, as doenças pulmonares ocupacionais estão entre as maiores causas de morbi-mortalidade entre os trabalhadores.

Estima-se em 20 milhões o número de trabalhadores potencialmente expostos ocupacionalmente a agentes desencadeantes de asma ocupacional e de doença pulmonar obstrutiva crônica de causa relacionada com o ambiente de trabalho.

Estima-se, também, que 28% dos casos de asma brônquica têm origem ocupacional; 14% dos casos de DPOC são de origem industrial e 5% a 10% do câncer de pulmão esteja relacionado com o trabalho. No Brasil, estes dados são incompletos, inexistentes ou inconsistentes.

Os índices de prevalência e incidência ainda hoje são alarmantes. A asma ocupacional e as pneumoconioses são as doenças predominantes.

Os custos, envolvendo compensações securitárias, indenizações, despesas administrativas, reabilitação profissional, entre outros, são elevados.

Nos Estados Unidos, segundo o NIOSH, para o ano 2000, foram dispendidos cerca de US$ 140 bilhões com as doenças ocupacionais.

• pneumoconioses (fibrogênicas e não fibrogênicas);
• asma ocupacional;
• pneumonites por hipersensibilidade;
• DPOC de origem ocupacional, não tabágica;
• febre por inalação de fumos, esporos e gases;
• câncer do pulmão relacionado com a exposição ocupacional.

Pneumoconiose é um termo que define as doenças pulmonares causadas pela inalação de poeiras
(Konio = pó) e sua conseqüente reação tissular.

São classificadas em:

• fibrogênicas
• exposição à sílica
• exposição ao asbesto
• exposição ao carvão
• exposição à poeira mista
• não fibrogênicas
• exposição ao ferro
• exposição ao estanho
• exposição ao bário
• exposição à rocha fosfática

Os principais ramos de atividades associadas ao risco de silicose são:

• indústrias cerâmicas
• indústrias de abrasivos
• construção de estradas ou túneis
• jateamento de areia
• corte e moagem de pedras
• pedreiras
• fundições

A silicose, em sua fase inicial, é caracterizada pelo mínimo comprometimento radiológico e funcional e é praticamente assintomática.

À medida que evolui, evidenciam-se sintomas característicos da dificuldade das trocas gasosas, visto ser uma doença que compromete as estruturas perivasculares e bronquiolares.

A dispnéia, progressiva aos grandes, médios e pequenos esforços, é sua primeira manifestação.

Com a progressão da doença pode-se evidenciar
sintomas característicos de cor-pulmonale. Tosse com expectoração e chiado são sintomas menos
freqüentes, excetuando-se os indivíduos com elevado consumo tabágico.

As alterações radiográficas da silicose são visibilizadas, inicial e preferencialmente, nos lobos superiores e segmentos posteriores, bilateralmente.

Com a progressão da doença todo parênquima pulmonar pode estar envolvido. Geralmente não comprometem as pleuras.

Nos casos avançados pode ocorrer o comprometimento dos linfonodos hilares e mediastinais, caracterizados como calcificação em casca de ovo ("egg-shell").

As alterações parenquimatosas são evidenciadas como pequenas opacidades regulares ou arredondas e são classificadas, segundos os critérios da Organização Internacional do Trabalho, OIT - revisão 1980, conforme a forma e o tamanho em "p", "q" ou "r", nas suas diversas profusões. Estas também podem formar grandes opacidades (A, B ou
C), como conseqüência da coalescência desses pequenos nódulos.
8 - Quais os dados necessários para o diagnóstico definitivo da silicose?
Para o diagnóstico da silicose devemos ter dados consistentes da história ocupacional e alterações radiológicas características dessa doença.

Entretanto, nos deparamos, com freqüência, com trabalhadores com história ocupacional incaracterística, pouco convincente, inconsistente e com alterações radiológicas pouco significativas; classificadas como 0/1 ou 1/0 pela revisão-1980 da OIT.

Nestes casos, devemos prosseguir com a investigação diagnóstica com a tomografia computadorizada de alta resolução, com técnica apropriada (cortes de 1,5 a 2 mm, decúbito ventral, matriz 512x512, documentação de seis cortes ampliados).

Geralmente conseguimos aprimorar o diagnóstico com esses métodos, mas a biópsia pulmonar poderá ser indicada em casos de maior complexidade, após exauridas todas as possibilidades não invasivas.

Nos estudos epidemiológicos, a história ocupacional com comprovação da real exposição e o radiograma do tórax são elementos básicos para esse tipo de investigação.

A silicose, como as demais pneumoconioses, não tem tratamento. Apresenta caráter evolutivo, cuja progressividade parece estar ligada a fatores de sensibilidade individual e à dose de exposição (carga de exposição; exposição cumulativa).

Deve-se providenciar a abertura de Comunicação de Acidente do Trabalho ou Doença Profissional
e encaminhar o trabalhador ao INSS. São doenças de notificação compulsória.

Recomenda-se ao paciente que comunique sua doença ao sindicato da categoria, entidade de classe, programas de saúde do trabalhador ou a vigilância sanitária do Sistema Único de Saúde.

Estas deverão indagar sobre a existência de outros trabalhadores com o mesmo problema e promover uma investigação mais detalhada.
?
• mineração (extração e beneficiamento);
• fabricação de telhas e caixas d’água (fibrocimento);
• fricção (embreagem, lonas e pastilhas de freio);
• tecelagem de asbesto (mangueiras, tecidos, malhas e gaxetas);
• manufatura de papéis e papelões.

Em nosso meio, cerca de 80% a 90% do asbesto é utilizado pela indústria do fibrocimento e 10% nos produtos de fricção.

Assim como a silicose e as demais pneumoconioses, a asbestose em sua fase inicial é praticamente assintomática. Com o progredir da fibrose, a dispnéia progressiva aos grandes, médios e pequenos esforços pode se manifestar.

A tosse pouco produtiva e o chiado são sintomas
de menor ocorrência e muitas vezes associados ao consumo tabágico. Com o progredir da doença, sintomas de descompensações cardíaca poderão ser evidenciados.

Baqueteamento digital e estertores crepitantes nas bases, fixos e bilaterais, são, eventualmente, detectados no exame físico.
13 - Quais as principais alterações radiográficas em trabalhadores expostos ao asbesto?
O comprometimento radiográfico em trabalhadores expostos ao asbesto pode envolver o parênquima pulmonar e a pleura.

A asbestose compromete, preferencialmente, as bases, bilateralmente, visibilizadas como pequenas opacidades, irregulares, classificadas como "s", "t" ou "u", da Classificação Internacional de Radiografias de Pneumoconioses, da OIT - Revisão 1980. Com o progredir da doença, todo o parênquima pulmonar poderá ser comprometido.

As alterações pleurais são caracterizadas como placas pleurais ou espessamentos pleurais benignos, são freqüentes e podem envolver a pleura parietal, diafragmática e mediastinal. São classificadas em relação a sua espessura, extensão e localização pela mesma revisão.

O diagnóstico definitivo da asbestose, ou diagnóstico de certeza, só poderá ser obtido por meio da
biópsia pulmonar. Além da fibrose intersticial peribronquiolar e vascular, devem estar presentes os corpos de asbestos ou corpos ferruginosos, em número suficiente, preconizado pelos patologistas.

É importante a identificação da quantidade e dos tipos de fibras de asbestos (são vários os tipos de asbesto, com diferenças físicas e químicas fundamentais na patogênese dessas doenças), por grama de tecido pulmonar seco.

A "American and Canadian Thoracic Society" considera que para o diagnóstico da asbestose é necessário uma confiante e significativa história de exposição, intervalo de tempo compatível entre inicio da exposição e as alterações no radiograma de tórax (± 10 anos), alterações radiológicas do tipo "s", "t" ou "u" e profusão 1/1 ou mais.

Além disso, a espirometria com alteração do tipo restritivo; difusão do monóxido de carbono alterada; estertores crepitantes fixos nas bases e baqueteamento digital, reforçam o diagnóstico.

Nós, do Grupo Interinstitucional de Estudo em Doenças Pulmonares .Ocupacionais. (Pneumologia e Diagnóstico por Imagem – UNIFESP-EPM; Pneumologia, Imagem, Patologia – INCOR-HC – USP e Saúde Ocupacional – UNICAMP) consideramos, no Projeto Asbesto-Mineração, que estudou os perfis de morbidade e mortalidade nessa atividade no Brasil, para o diagnóstico presuntivo da asbestose, além dos dados de história ocupacional e das alterações no radiograma do tórax, os achados da tomografia computadorizada de alta resolução (TCAR).

Na TCAR, consideramos os achados compatíveis e característicos de fibrose intersticial, desde que excluídas outras eventuais
causas de comprometimento do interstício pulmonar.
sbesto?
• placas pleurais e espessamento pleural difuso;
• atelectasias redondas;
• nódulos pulmonares benignos;
• câncer de pulmão;
• mesotelioma de pleura, pericárdio e peritônio;
• outras neoplasias do trato respiratório e gastrintestinal.

Na seção "Derrame Pleural de Temas em Pneumologia", são discutidos os principais aspectos de
interesse clínico sobre o mesotelioma.

Além da asbestose e silicose já descritas, outras causas comuns de pneumoconioses ou doença pulmonar intersticial de origem ocupacional podem ser citadas, como às decorrentes à exposição ao carvão mineral,às poeiras mistas na indústria de abrasivos, ao berílio e ao metal duro (cobalto).

Entre as de menor ocorrência, há às conseqüentes à exposição aos silicatos (talco, caolin, terras diatomáceas, fibras artificiais, mica), aos grafites, aos metais (estanho, alumínio, antimônio, bário, ferro, titânio) plásticos (cloreto de polivinil-PVC, isocianato) e às poeiras orgânicas contendo fragmentos de bactérias, fungos, proteínas animais e vegetais.

A "International Agency for Research on Câncer", 1996, considera como agentes carcinogênicos:

• sílica
• asbesto
• exaustão de diesel
• arsênico
• acrilonitrilo
• éter bisclorometila
• berílio
• cádmio
• cromo VI
• níquel
• radônio
• fuligem e fumos de fornos e da gaseificação do carvão.

A exposição à poeira de algodão, linho e cânhamo pode provocar afecções respiratórias como a pneumonite tóxica (febre do moinho), hiperresponsividade, inflamação, disfunção reativa das vias aéreas, bronquite crônica e asma ocupacional.

Nesse contexto, a bissinose pode ser caracterizada como uma doença com efeitos pulmonares agudos e crônicos causados pela inalação dessas fibras vegetais.

Manifesta-se pela sensação de aperto no tórax e dificuldade para respirar que, geralmente, ocorre logo nos primeiros turnos de trabalho, após o final de semana, volta de férias ou no retorno de afastamentos.

Estes sintomas têm inicio gradual após algumas horas de exposição e podem revelar distúrbio ventilatório tipo obstrutivo, reversível, que após anos de exposição poderá evoluir para obstrução fixa.

Inicialmente foi proposto por Schilling uma classificação para a bissinose e, em 1983, a Organização Mundial de Saúde propôs um esquema de classificação alternativa para os efeitos da exposição ao algodão e outras fibras vegetais que contempla, basicamente, os sintomas de opressão torácica e respiração dificultosa, a hiperresponsividade e as alterações, agudas e crônicas, das vias aéreas.

O diagnóstico baseia-se na caracterização da história ocupacional, nos sintomas e nas alterações funcionais referidas anteriormente.

A espirometria realizada antes e após o turno de trabalho e, no mínimo, após dois dias de afastamento, pode evidenciar a manifestação aguda da doença.

A ausculta pulmonar pode ou não revelar a presença de sibilos que podem estar presentes nas fases
mais avançadas da doença. O radiograma do tórax pouco acrescenta. O tratamento da fase aguda compreende o afastamento da exposição e o uso de beta-agonista, e na fase crônica,esquema semelhante ao da DPOC.
20 - Qual a definição de asma ocupacional?
Segundo os autores do livro "Asthma in the Workplace" (Bernstein I L, Chan-Yeung M, Malo J L, Bernstein D I, (Eds) Marcel Dekker, Inc., New York, 1999), asma ocupacional é uma doença caracterizada por limitação variável do fluxo aéreo e ou hiperresponsividade das vias aéreas devido à causa ou condições atribuídas ao ambiente do trabalho e não a estímulos encontrados fora dele.
21 - Qual a prevalência da asma ocupacional?
• EUA
• 2% de todos os casos de asma brônquica.
• JAPÃO
• 15% entre os homens asmáticos
• 25% a 29% entre os expostos a cardagem de algodão
• 3% a 30% entre manipuladores de animais
• 5% entre os expostos ao isocianato e seus derivados
• 4% entre os expostos a madeiras vermelhas (cedro, mogno)
22 - Como é feito o diagnóstico de asma ocupacional?
O diagnóstico da asma ocupacional baseia-se fundamentalmente na história ocupacional, caracterizada pelo início dos sintomas de dispnéia e sibilância que se acentuam com a continuidade da exposição; com melhora nos finais de semana e nos períodos de afastamentos, com piora no retorno ao trabalho.

A espirometria seriada (pré e pós-broncodilatador) ou as medidas seriadas de pico de fluxo expiratório, realizadas durante 7 a 10 dias trabalhando; 7 a 10 dias afastado do trabalho e novamente de 7 a 10 dias trabalhando, permite uma abordagem diagnóstica bastante adequada.

Outros exames como a broncoprovocação específica e inespecífica, câmaras de exposição, testes
cutâneos e sorológicos podem contribuir para uma melhor definição da doença.

As pneumonites por hiperssenbilidade eram consideradas, previamente, como doença ocupacional
ou ambiental rara, mas nos dias atuais é reconhecida como relacionada à vários ambientes de trabalho.

A natureza do antígeno inalado, as circunstâncias da exposição e as reações imunológicas são fatores essenciais para a caracterização do risco. Uma relação extensa de agentes relacionados com sua etiologia é descrita na literatura.

Os três maiores grupos de antígenos que podem causar pneumonite por hipersensibilidade estão
relacionados com:

• agentes microbianos (bactérias, fungos, ameba)
• proteínas animais
• substâncias químicas de baixo peso molecular.

A composição da poeira orgânica de grãos de cereais é heterogênea e basicamente constituída
por:

• fragmentos dos próprios grãos e resíduos vegetais;
• partículas de sílica, alumínio, manganês, provenientes do solo;
• fungos, bactérias que colonizam ou parasitam os grãos durante a colheita, transporte ou
• estocagem;
• pêlos, penas, fezes e fragmentos de roedores, insetos e aves;
• resíduos de agrotóxicos, adubos, fumigantes;
• outros.

Dessa forma, para uma adequada abordagem clínica para detecção de eventual doença pulmonar relacionada com esse tipo de exposição, é fundamental a análise da composição dessa poeira. As principais manifestações clínicas inerentes a essas exposições contemplam:

• asma ocupacional;
• disfunção reativa das vias aéreas;
• pneumonite por hipersensibilidade;
• obstrução crônica das vias aéreas (exposições crônicas);
• febre por inalação a poeira de cereais (esporos, endotoxinas, fragmentos de grãos);
• manifestações de doenças da vias aéreas superiores;
• prurido cutâneo;
• conjuntivites.

Beriliose, ou doença crônica por exposição ao berílio, é uma doença decorrente da exposição ao berílio na atividade de extração e refino desse metal.

Outras exposições ocupacionais poderão ocorrer na indústria aeroespacial, eletroeletrônica, polimento de lentes, usinas nucleares, produção de lâmpadas florescentes, entre outras. Por suas propriedades de dureza, leveza, estabilidade e por ser bom condutor de eletricidade, é fartamente utilizado nas indústrias citadas.

A beriliose, classicamente, apresenta comportamento histológico e clínico semelhante ao da arcoidose. Exposições em altas concentrações de fumos de berílio podem causar pneumonite química.

Em exposições crônicas pode acarretar inflamação pulmonar difusa, com formação de granuloma epitelióide não caseoso, intersticial, principalmente no interstício axial broncovascular, submucosa brônquica, subpleural e linfonodos intratorácicos. No seu estágio final poderá evoluir para fibrose pulmonar com faveolamento.

A apresentação clínica, radiológica e tomográfica, também se assemelha à sarcoidose.

No lavado bronco-alveolar, a relação de linfócitos CD4/CD8 é elevada. O teste de linfoproliferação berílioespecífica é considerado altamente específico para o diagnóstico da beriliose.

O tratamento é o mesmo preconizado para a sarcoidose (veja na seção Temas em Pneumologia – Sarcoidose).

Nos ambientes de trabalho com risco inalatório, conhecido ou presumido, aos aerodispersóides (poeiras, fumos, névoas, gases e vapores), recomenda-se a implantação de um programa de proteção respiratória, estabelecendo prioridades para o devido equacionamento do problema. O objetivo primordial desse programa deve ser a eliminação ou redução desses riscos.

Para tanto, sempre que possível, o programa deverá propor medidas de proteção coletiva tais como, enclausuramento ou confinamento das operações, ventilação e exaustão adequada, modificações operacionais ou de tecnologia e substituição da matéria-prima, entre outras.

O uso de equipamento de proteção individual (EPI – máscaras e respiradores), deverá ser implementado em situações especiais, quando as medidas de proteção coletiva não são exeqüíveis ou são ineficazes para o controle da exposição.

Outras medidas de higiene ocupacional visando o controle e a proteção dos trabalhadores expostos aos riscos inalatórios são amplamente abordadas na literatura